O HOMEM DE CHAPÉU

Olá.

Eu não poderia deixar de relatar a minha primeira experiência, na verdade a primeira que eu me lembro. Eu tinha 4 ou 5 anos. A idade exata não importa muito, pois o que aconteceu naquela noite me acompanhou até meus 16 anos.
Entre 1995 e 1996, aqui no Brasil, estava em alta o assunto ET de Varginha. Passava toda hora na televisão, intercalando com matérias sobre Chupa Cabra. Um show de horror para uma criança agitada e bagunceira como eu, pois qualquer arte que eu fizesse, eu escutava que o ET de Varginha viria me pegar. Na verdade, a frase exata que eu escutava era que o baixinho cabeçudo viria me pegar. Esse trauma se enraizou em mim de uma forma, que vale a pena ser contado com mais detalhes e contextualizada em outro post.
Pois bem, eu, uma criança criada na igreja católica,  nascida nos anos 90, estava prestes a ter meu primeiro contato com o "sobrenatural".
Minha família,  composta de pai, mãe e irmão recém nascido, dividia o mesmo quarto. Cada um em sua cama, porém as camas eram colocadas uma colada na outra, pois minha mãe dormia ao lado do berço do meu irmão, e eu dormia do lado do meu pai de mão dada com ele. Nesse quarto havia um guarda roupas e em cima dele havia um rádio daqueles grandes.
Lembro-me apenas de despertar, mas parecia mesmo que eu havia sido acordada por algo. Eu me sentei na cama, e nem precisei esperar minha visão se acostumar ao escuro, pois eu enxergava razoavelmente bem. Eu olhei em volta e algo chamou minha atenção: uma pequena massa negra pairando ao lado desse guarda roupas, próximo ao chão. O que aconteceu daí em diante foi puro horror. Eu fui empurrada (ou puxada, não sei) para a posição deitada, de barriga para cima. Aquela massa negra que estava no chão começou a crescer, até tomar a forma de um homem de chapéu muito alto. 
A essa altura eu percebi que o quarto havia escurecido, pois eu não conseguia mais enxergar com clareza e para piorar eu não conseguia me mover. Estava travada. Não conseguia gritar. Só conseguia mover os olhos e respirar.
Apesar do quarto estar mais escuro, eu conseguia ver aquele homem, pelo menos o seu formato. Ele era mais escuro que o próprio escuro. 
Em um salto, ele subiu em cima do guarda roupas e ficou lá sentado, me olhando. Pude perceber que ele não tinha pés,  sua silhueta ia afinando embaixo, parecia um pedaço de trapo velho flutuando. Para minha surpresa, ainda pude ver que ele tinha um bichinho de estimação. Era como se um pedaço dele mesmo tivesse ficado para trás. Esse pedaço tomou forma de algo parecido com uma ariranha (lontra) e escalou o guarda roupas também. Ambos se tornaram uma coisa só. 
Eu estava suando, conseguia ouvir meu coração batendo, minha respiração estava ofegante. Foi então que eu ouvi dentro da minha cabeça a voz dele: "Volte a dormir!"
Foi com essa frase autoritária que eu apaguei e voltei a dormir. Quase como um desmaio.
Ele falou como se fosse meu dono, como se eu pertencesse a ele. 
Eu não me recordo de ter contado pra alguém isso, pois eu achei que tivesse sido um pesadelo, e eu nunca gostei de pensar muito nos meu pesadelos com medo deles se repetirem. Guardei para mim mesma. 
Essa foi a primeira aparição do Homem de Chapéu  e sua Ariranha. Como mencionei anteriormente, esse espírito me acompanhou até meus 16 anos , mais ou menos. 
Vou ficando por aqui, pois pretendo contar cada experiência detalhadamente em posts específicos. 

Até mais.

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